ÚLTIMAS NOTÍCIAS / Quadrilha usava ‹fantasmas‹ e fraudava benefícios na Câmara dos Deputados

Investigação foi feita pela Polícia Legislativa e encaminhada ao MP. Presidente da Câmara diz que foram mudados procedimentos

Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou nesta quinta-feira (25) que investigações feitas pela Polícia Legislativa constataram que uma quadrilha cometia fraudes na Casa registrando funcionários fantasmas e cometendo irregularidades para receber benefícios como auxílio-creche e vale-transporte. Acusações contra alguns servidores já foram encaminhadas ao Ministério Público Federal, segundo Temer, e a Casa mudou procedimentos para evitar novas fraudes.

"Se descobriu uma verdadeira quadrilha agindo aqui dentro da Casa, em primeiro lugar. Em segundo Lugar, a Direção Geral modificou procedimentos que poderiam dar ensejo a essas espécies de irregularidades. De modo que a Câmara estava agindo muito antes e continua tomando providências", afirmou o presidente da Casa.

A investigação das fraudes foi feita pela Polícia Legislativa de Casa. Segundo Temer, mais de 15 inquéritos já foram encaminhados para o Ministério Público Federal. Uma nota divulgada pela assessoria do presidente da Casa esclarece que não há suspeita de envolvimento de parlamentares no esquema. A nota diz ainda que deputados dispensaram de seus gabinetes servidores que tiveram o nome envolvido no esquema.

Laranjas

A fraude consistia em registro de endereços falsos, notas fiscais de escolas e creches com valores maiores do que o efetivamente pago e até o uso de pessoas como "laranjas" para o recebimento de salário e benefícios.

Um dos "laranjas" usados pela quadrilha era Severino Lourenço dos Santos Neto. Ele trabalha em uma pastelaria no Gama, cidade satélite de Brasília, e mora em Valparaíso, em Goiás. Severino conta que em 2008 foi procurado pelo marido de uma prima sua oferecendo um benefício social da Casa.

Segundo o que ele conta, o homem disse que o benefício seria de R$ 100 por cada um de seus três filhos. Severino foi acompanhado do marido de sua prima preencher diversos papéis na Câmara e, sem saber, se tornou funcionário da Casa.

"Assinei um monte de papel e fiz uma conta no banco e tudo. Ele disse que o cartão tinha que ficar com ele e como eu nunca tive conta em banco não achei nada de errado. Era para receber R$ 300, mas muitas vezes eu recebia R$ 250 só", contou ele.

Severino foi surpreendido no final do ano passado com uma visita de investigadores da Polícia Legislativa da Câmara em seu trabalho. "Eles perguntaram se eu trabalhava na Câmara. Eu disse que não. Aí eles me disseram que eu estava registrado e recebia R$ 7,2 mil por mês", contou. Desde então, ele já prestou quatro depoimentos e tem colaborado com as investigações. Severino disse não ter tido mais contato com o marido de sua prima. Segundo ele, a pessoa que o usou no esquema não trabalharia mais na Câmara e sua prima lhe disse que não sabia da fraude.

 

Fonte: Eduardo Bresciani.Do G1, em Brasília

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