ÚLTIMAS NOTÍCIAS / Lula apela ao FMI e ao Bird para que perdoem a dívida do Haiti

Após sobrevoar áreas destruídas pelo terremoto, o presidente brasileiro firmou convênios para ajudar na reconstrução do país

Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou ontem a capital do Haiti, Porto Príncipe, um mês e meio depois do terremoto que destruiu a cidade e deixou mais de 200 mil mortos. Lula sobrevoou a capital haitiana de helicóptero com o presidente René Préval, para verificar as áreas mais afetadas pelos tremores. Depois, já na sede da Base Bra­­sileira, ele assinou convênios de cooperação entre Brasil-Haiti e defendeu o perdão da dívida ex­­­terna haitiana, como forma de fortalecer o governo de Préval.

“O perdão da dívida de U$ 1,3 bilhão é uma amostra dos credores de que estão dispostos a ajudar o Haiti de verdade. Porque com esse perdão, o Haiti pode voltar a pleitear financiamentos internacionais”, disse, em um apelo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial (Bird).

A visita de Lula, a principal autoridade latino-americana a visitar o país caribenho desde o desastre, ocorre em um momento em que o Haiti começa a voltar à normalidade. Já não há mais corpos pelas ruas e nem o cenário de caos dos primeiros dias. As forças da Organização das Nações Uni­­das (ONU) têm conseguido garantir atendimento médico razoável para feridos e doentes mais graves. Muitas edificações es­­tão sendo reconstruídas e o te­­mor de que surgissem novas on­­das de violência, comuns antes da chegada da Forças de Paz da ONU (Minustah), não se concretizou.

A maioria dos avanços, porém, tem relação com os esforços internacionais e guarda pouca relação com iniciativas do próprio governo haitiano. Porto Príncipe continua sem luz elétrica. Os geradores que garantem eletricidade em alguns pontos da cidade estão sob os cuidados das forças da ONU. O governo haitiano não conseguiu organizar uma força de segurança mínima para garantir policiamento ou controle de fronteiras. O aeroporto permanece, na prática, sendo controlado pela Força Aérea americana, que vetou pousos e decolagens no período da noite. “Vocês jornalistas estrangeiros têm mais recursos que o go­­verno do Haiti”, declarou o em­­baixador do Haiti no Brasil, Il­­del­­bert Pierre-Jean.

O objetivo dos principais países envolvidos na missão no Haiti (Estados Unidos, França e Brasil) é transferir poder de decisão e res­­ponsabilidades para o governo Préval. De acordo com Lula, o per­­dão da dívida e a ajuda financeira são importantes, mas os re­­passes devem ser utilizados e ad­­mi­­nis­­trados pelo governo haitiano. “Vamos continuar ajudando, mas quem decide como, onde e de que jeito a ajuda será dada é o governo do Haiti. Esse país tem governo e a ajuda será dada pelo governo.”

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* O jornalista viajou ao Haiti a convite do Palácio do Planalto

Fonte: Guilherme Voitch, enviado especial

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